quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Entre tudo que ainda existe,
Entre todas as cartas que não foram entregues,
Entre as portas que ficaram abertas,
Ainda sobrevivem,
Ainda palpitam,
Aquelas suas palavras,
Dentro de mim.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Quem é você que eu chamo?
Quem é você que eu respiro?
É você agora,foi você ontem,
E será você no futuro.
Como um percurso escrito
por tinta indelével.
Como uma casa velha
que sempre dá aconchego.
Como um amor cansado,
esperando o tempo voltar.


quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Sobre o mar agitado,
A única coisa que se sabe,
é que um dia fica calmo,
mas aos poucos te invade.
A turbulência é um passo largo
 para o fim da nossa paz.
Um prato quebrado, por mais que se remende,
não volta ao seu estado original.
As cicatrizes do seu caos se instalarem em mim.
Não se aproxime mais.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Deitado com a poeira da cidades
Seus pés já não sentem o frio da noite
seus calos indolores flutuam sobre o ar
A luz da lua lhe informa:
A noite já é uma velha caduca
Esperando o amanhecer.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Brisa

A vida lhe passou como um sopro
Nasceu, viveu, tendo uma tenda como moradia,
Não conhecia nada além do morro,
Os prédios vistos da laje pareciam uma história de fantasia.

Nem televisão tinha.
Entrar para a gangue do Zé era como subir na vida.
Passou a madrugada debaixo da chuva para fazer a sua matrícula.

Entrou para a escola dos golpes,
Aprendendo o bê-a-bá dos furtos e das mortes.
Estudou para a prova dos tráficos das drogas
Mas,a matéria que mais gostava era a de abrir cofres.





Bem feito

O mundo virou de cabeça para baixo
e ninguém te avisou.
O beija-flor bateu na janela,
Mas, existem outras coisas mais importantes para se notar.
Como a gata mais linda da vizinhança.
Como a bagagem de coisas inúteis.
Malditas sejam as suas falhas
da prova que você não passou
por pura incompetência.


A fumaça que escapa é de um incêndio proposital.
Já que a queimada já se instalou na floresta do seu ser a muito tempo.
A bomba da calçada não é um aviso.
É uma constatação tardia ,
Já que o amor não existe e nem você.

O passado é um prato quebrado que não se pode remendar.


                               

domingo, 9 de agosto de 2015

Enquanto você fecha os olhos,
Eu abro a sua boca.
É muito espaço contido num abraço.
É muito silêncio contido numa palavra.
É muito bagunça no quarto recém arrumado.
A vista da rua virou de cabeça para baixo,
Mas você cerrou as cortinas e não percebeu.
Me chame quando as paredes forem pintadas
Quando a trouxa do chão for retirada,
Quando a cama estiver arrumada,
Me chame quando você voltar das férias de 2008.
Quando o açúcar do café não estiver vencido
Me chame quando você parar de se esquecer.

terça-feira, 4 de agosto de 2015


Perante as paredes da cidade
uma frase ecoa:
"Amar elo cura".
Ninguém sabe o que significa.
Ninguém sabe quem escreveu.
Poderia ser uma nova forma de simbolizar um ponto de drogas?
Já que o prazo dos tênis nos postes já venceu?
Poderia significar amar o elo de um jogo moba?
Ou uma cor que restaura?
Poderia significar tudo.
Inclusive nada.
Apenas uma frase sem sentido, desconexa.
Numa mente de criatividade mutilada.
Mas na minha mente resguardada pelo passado
Quando leio "Amar elo cura"
Displicentemente, quer dizer:
Amar é loucura.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Cada queda revestida de concreto.
A estupidez é cega.
O tempo pode ser um velho bonzinho ou um velho rancoroso.
Ele pode te curar.
Mas ele também pode rasgar a seda que reveste a inocência.
Olhar para trás e perceber que não existe caminho para volta
É como quebrar um copo de vidro nas mãos.
Não dá para mudar para a estação de 5 anos atrás.
Não dá para pular esses próximos 5 anos.
Apenas esperar o destino chegar
Sem nunca poder descer.
                                                                    A estupidez é cega e você também.

domingo, 26 de julho de 2015

O trem das 4 horas passa despercebido na multidão.
Ninguém entra, ninguém saí.
Ninguém está, ninguém nunca esteve.
O vazio é invisível.
Ninguém se incomoda,
Ninguém se importa.
Só a velhinha de 80 anos que chora todos os dias
Esperando o trem vazio das 4, desde 1967.
"Ele jurou que voltava as 4".
Mas um tirou o levou.
Ela sabe, mas ninguém liga.
A esperança só irá embora depois da sua morte.
Amar também significa não desistir.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Acordou e esqueceu o que tinha que fazer.
Foi na cozinha e esqueceu o que deveria comer.
Saiu de casa e não sabia onde ir.
Não reconheceu aquelas pessoas em sua volta.
Correndo, frenéticas, brigando contra o tempo.
Aquele rosto, aquelas roupas, aquele carro, aquela casa
Não lhe pertenciam.
Caminhou horas pela cidade afora,
Talvez tenha enlouquecido.
Mas alguma partícula de sanidade o fazia pensar:
"Não fale nada a ninguém, vão te colocar no hospício".
Até que achou a única coisa que não estranhou naquele dia:
A jornalista sentada no café da esquina.
Não tinha alzheimer.
Só teve as suas memórias roubadas
Pelo pedido feito na noite anterior:
"Me faça esquecer dela".



Antecipações

Por que você passa por mim e depois some
Como uma flecha que me atinge como bala de revólver.
É tempo de aflição, incertezas
Ninguém disse que o amor era um precipício
Que você mesmo se atira, sem paraquedas.
Você não me empurrou, a culpa é minha.
Eu que quero desesperadamente cada parte que é sua
Cada coisa que te pertence
Só para me iludir um pouco que você é meu.
Você não roubou o meus anos.
Eu é que torneio-os seus.
Só para você ir embora e me transformas em cinzas de um incêndio.
Não há volta.
Não há resposta.
A próxima esquina está fadada ao assalto.
O próximo tropeço está fadado ao palavrão.
As linhas não são tortas, é você que escreve as palavras erradas.
Nunca é tarde para o amor.
Mas pode ser cedo demais.

terça-feira, 21 de julho de 2015

O vento do norte dá as boas vindas.
As segundas feiras felizes,
A sombra da árvore,
A um sorriso desconhecido
que te escolheu.
Um abraço inesperado.
Alguns começos são melhores que seus fins.
O vento sopra o próximo rascunho.
A procura é sua.
O grito é meu.
Quem está debaixo da chuva não quer apenas um guarda-chuva
e sim desesperadamente um abrigo.
Assim como as lágrimas no rosto não pedem lenços, e sim um ombro amigo.
O caminho mais doloroso não é aquele que é o mais dificil.
A dor está na incapacidade de não mudar de caminho.
Na covardia que disfarça o maior abismo do mundo: a saudade.


quarta-feira, 8 de julho de 2015

Olhar além do tempo, além do espaço que nos acomoda e incomoda muitas vezes
É transcender o escuro do quarto sem janela
É como apagar a foto que você tirou em frente ao condomínio que você nunca vai entrar
Jogar fora aquele tênis de marca usado e rasgado que você comprou no bazar.
Por que no final do dia não importa a cama em que você está e sim com quem está.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Estrelinha

Elisa sempre foi uma criança diferente,
Aos 4 anos queria uma doninha como bicho de estimação,
Aos 5 anos chorava por um porco espinho inconsequente,
Eram tantas feridas e furinhos em sua mão
Mas a menina queria tanto o abraçar apertadamente.

Quando tinha 6 anos queria ser piloto de avião,
Ela dizia :"Como deve ser legal estar no céu igual a um passarinho"
Daqui a pouco ,ela já estava pedindo de presente ,um pavão,
Enquanto andava, sorrindo, espalhando pétalas em seu caminho.

Aos 7 anos, pensou que queria ser uma andorinha
Porque ela queria substituir aquele terrível inverno pelo verão
Ela dizia: Só com o verão, eu deixo de brincar sozinha"
O frio mantinha as outras crianças em suas casas, enroladas em seu colchão.

Quando completou 8 anos queria ser trapezista
E brincava no céu a noite, criando uma nova constelação
Só para depois cantar, pedindo uma calopsita
Mas o pai dela pensava:"Pelo menos não é um leão".

E os vizinhos perguntavam: Por que esse pai alimenta
os gostos dessa menina?"
Mas ninguém sabia, não fazia ideia
Que Elisa sempre esteve perto de virar uma estrelinha
Desde o dia que sorriu para vida.

Aos 9 anos, Elisa foi embora, em um final de uma tarde quente de verão
Mas, a noite, quando o céu brilhava
O pai de Elisa dizia: "Eis ali, a nossa pequena grande constelação"
E então, todos os animaizinhos sorriram.
Ela sempre teve o céu como inquilino do seu coração.


segunda-feira, 1 de junho de 2015

Saudade

A arte alográfica subsiste no meu canto,
Na canção que compus para não deixar você ir embora,
Enquanto as malas se despedem na porta.
A arte autográfica subsiste nas minhas telas,
Nas nuvens que se projetam no chão e nas paredes da nossa casa,
O céu que eu construí para nós dois.
Quem me dera também ser dona da arte de amar sem ter saudade.
Pois só quem está perto, pode ter esse dom.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Contraste

Eu não poderia deixar de te falar
que o que está aqui não se esvai.
Só se desmonta para ser consertado.

Porque as mãos do artesão
não poderiam ser outra coisa
a não ser todas as f(ô)rmas de vida.

O molde correto é aquele invisível
e construído diante da turbulência.
A beleza verdadeira só se mostra no caos.

Eu quero ver o todo crescer nas ruínas.
Quero ver o mar invadir a calçada em chamas,
Para que todas as cores bordadas no céu no fim de tarde
Costurem um sorriso em que não consegue ver a beleza atrás do arranha-céu.

                                                                       Sobre devaneios silenciosos na multidão.

terça-feira, 31 de março de 2015

Espelho d´água





De braços cruzados,
Em cima da ponte,
Vejo a imensidão do céu
Projetado no lago límpido.
Embora, reconheça, a beleza do espelho
O reflexo jamais se comparará
Aos tons que se pintam no céu no fim de tarde.
Olhar para cima e entender o mundo
É uma viagem sem passagem de volta.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Eventualmente costumo fazer novos inimigos.
Eu podo as minhas flores em formato de palavras todos os dias.
Eu obstruo a passagem dos primeiros caminhos.
Entupo a garganta com frases pensadas e jamais ditas.
Eu pulo o abismo de não ser ninguém alem do extraordinário.
Transformo alguém em meu território.
Só para fazer uma guerra
E matar os meus tão frágeis soldados
Metaforizados em cacos partidos de atenção.
Os meus novos inimigos são palavras parafraseadas pelo bloqueio.
E o grande vilão é o medo.
Mas, fugir não é uma alternativa sã para a coragem.
Permanecer é se esconder em frente de você mesma.

                                                 Sobre atos de coragem enrustidos pelo silêncio dos seus olhos.

terça-feira, 17 de março de 2015

Ficar

Saudade é a dor de quem ficou.
As nuvens que denunciam as chuvas,
As nuvens que escondem as estrelas,
Não são as mesmas nuvens que te protegem do sol.
Andar a mais do que deveria é só uma desculpa.
Um minuto a mais ao teu lado.
Nessas 23 horas e 59 minutos sem você.

Ficar é a antítese de ir embora.

domingo, 15 de março de 2015

Perda

Catapulta sem direção
É como luta sem causa,
Exército despreparado,
Guerrear pela paz.
Meios que não justificam seus fins.
A espada e o escudo que são invisíveis.
A fortaleza que desmorona antes mesmo de ser construída.
É como perder sem ter batalhado.
Derrota espiralizada pela incapacidade do meu grito de guerra:
Fica.
O fim do mundo é quando você for embora.

                                                   Que é que eu vou fazer pra te deixar?Sempre que eu                                                                 apresso o passo, passas por mim.

segunda-feira, 9 de março de 2015

As minhas musas

A porta que se fecha é o último segundo do relógio que pára.
O recomeço sempre marca o fim de uma etapa.
Um novo ciclo de passos.
Um novo gigante a ser escalado.
A subida que ofusca o medo.
Caminhando sozinha consigo dialogar com as minhas musas.
As musas gregas que habitam em mim.

A Calíope está nas vezes que quis falar e não pude.
Ela mora dentro da minha oratória interna,
Gritando com a sua trompeta, agarrando o livro do conhecimento.
É aquela que domina minhas respostas, a que debate com os meus erros.
Mas ela tem um defeito: dorme nas horas inoportunas.

Clio é a favorita. 
É a que me dá esperanças das pessoas que eu posso ser.
É a que brilha, a que cria, a que ama história.
A parte que eu mais amo, e a que eu mais odeio.
A que eu sempre quis ser e não fui.

Érato é a delicadeza do meu lirismo.
São as minhas vezes do eu te amo.
São as minhas cartas não correspondidas.
É som da harpa que imita o meu sim.
É a que nunca me deixa na mão.

Euterpe é o meu lado misterioso.
É a que cresce com os olhares.
Com o suor da pele depois de uma caminhada.
A que procura aquele beijo que você não me deu.
A que deseja a nossa eternidade.

Melpômene é a que me abraça e chora.
Chora pela vida ser do jeito que ela é.
É o drama futuro antecipado pelas circunstâncias.
É aquele dia que te joga no chão, no meio de uma tempestade sem guarda-chuva.
A que mais frequenta o meu caminho.

Polimnia é a moça do véu branco.
É a poesia do dia-a-dia da calçada.
É o vento que beija o meu calor.
É o abraço que eu não pedi.
A sintonia do nosso piscar de olhos.

Terspíscore é a sinfonia fechada.
É a harmonia do meu hino interior.
O mar calmo depois da tempestade.
A razão enrustida no meu silêncio.
A música que me toca pela primeira vez.

Tália é o meu humor ácido.
É a minha indiferença para os conflitos.
É o sorriso mais gostoso daquela tarde premiada.
É o presente surpresa que te faz feliz.
A gentileza daquela queda engraçada.

E por último, Urânia.
O simbolismo do meu amor pelo universo.
São as estrelas que pedi para você roubar para mim.
São as constelações que dançam e cantam toda noite.
Enquanto eu durmo, enquanto você fecha os olhos.
O movimento daquele relógio que você comprou
Para um recomeço triunfal.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Noite

Antes da meia-noite eu me calo.
Silencio.
A madrugada já tem um nome.
O silêncio não passa de um intervalo
entre os nossos olhos e os nossos lábios.
O encontro das mãos que se procuram no escuro
é a mesma urgência do seu,do meu e do nosso:
Boa noite.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Você pode

Pode brigar, me esmagar e dilacerar.
Você pode me cortar,me jogar no chão.
Fingir que a noite não é mais nossa, 
e afirmar que o seu brilho do sol 
é mais lindo que o das minhas estrelas.
Brincar de esconder a minha paz debaixo do seu cobertor.
Jogar as minhas palavras fora como as suas sujeiras.
E esquecer da nossa pureza.
Mas não me afaste ,não me perca em uma multidão qualquer.
Não solta da minha mão.
Me engane,me iluda,me rasgue.
Mas não diga que não pensa em mim.
Não vá embora como nas outras vezes.
Vamos também brincar de faz de conta.
Eu deixo você fingir que ainda me ama.
Minhas mentiras infantis lhe caem bem.
E eu te aceito assim.