terça-feira, 31 de março de 2015
Espelho d´água
De braços cruzados,
Em cima da ponte,
Vejo a imensidão do céu
Projetado no lago límpido.
Embora, reconheça, a beleza do espelho
O reflexo jamais se comparará
Aos tons que se pintam no céu no fim de tarde.
Olhar para cima e entender o mundo
É uma viagem sem passagem de volta.
quarta-feira, 25 de março de 2015
Eventualmente costumo fazer novos inimigos.
Eu podo as minhas flores em formato de palavras todos os dias.
Eu obstruo a passagem dos primeiros caminhos.
Entupo a garganta com frases pensadas e jamais ditas.
Eu pulo o abismo de não ser ninguém alem do extraordinário.
Transformo alguém em meu território.
Só para fazer uma guerra
E matar os meus tão frágeis soldados
Metaforizados em cacos partidos de atenção.
Os meus novos inimigos são palavras parafraseadas pelo bloqueio.
E o grande vilão é o medo.
Mas, fugir não é uma alternativa sã para a coragem.
Permanecer é se esconder em frente de você mesma.
Sobre atos de coragem enrustidos pelo silêncio dos seus olhos.
Eu podo as minhas flores em formato de palavras todos os dias.
Eu obstruo a passagem dos primeiros caminhos.
Entupo a garganta com frases pensadas e jamais ditas.
Eu pulo o abismo de não ser ninguém alem do extraordinário.
Transformo alguém em meu território.
Só para fazer uma guerra
E matar os meus tão frágeis soldados
Metaforizados em cacos partidos de atenção.
Os meus novos inimigos são palavras parafraseadas pelo bloqueio.
E o grande vilão é o medo.
Mas, fugir não é uma alternativa sã para a coragem.
Permanecer é se esconder em frente de você mesma.
Sobre atos de coragem enrustidos pelo silêncio dos seus olhos.
terça-feira, 17 de março de 2015
Ficar
Saudade é a dor de quem ficou.
As nuvens que denunciam as chuvas,
As nuvens que escondem as estrelas,
Não são as mesmas nuvens que te protegem do sol.
Andar a mais do que deveria é só uma desculpa.
Um minuto a mais ao teu lado.
Nessas 23 horas e 59 minutos sem você.
Ficar é a antítese de ir embora.
domingo, 15 de março de 2015
Perda
Catapulta sem direção
É como luta sem causa,
Exército despreparado,
Guerrear pela paz.
Meios que não justificam seus fins.
A espada e o escudo que são invisíveis.
A fortaleza que desmorona antes mesmo de ser construída.
É como perder sem ter batalhado.
Derrota espiralizada pela incapacidade do meu grito de guerra:
Fica.
O fim do mundo é quando você for embora.
Que é que eu vou fazer pra te deixar?Sempre que eu apresso o passo, passas por mim.
É como luta sem causa,
Exército despreparado,
Guerrear pela paz.
Meios que não justificam seus fins.
A espada e o escudo que são invisíveis.
A fortaleza que desmorona antes mesmo de ser construída.
É como perder sem ter batalhado.
Derrota espiralizada pela incapacidade do meu grito de guerra:
Fica.
O fim do mundo é quando você for embora.
Que é que eu vou fazer pra te deixar?Sempre que eu apresso o passo, passas por mim.
segunda-feira, 9 de março de 2015
As minhas musas
A porta que se fecha é o último segundo do relógio que pára.
O recomeço sempre marca o fim de uma etapa.
Um novo ciclo de passos.
Um novo gigante a ser escalado.
A subida que ofusca o medo.
Caminhando sozinha consigo dialogar com as minhas musas.
As musas gregas que habitam em mim.
A Calíope está nas vezes que quis falar e não pude.
Ela mora dentro da minha oratória interna,
Gritando com a sua trompeta, agarrando o livro do
conhecimento.
É aquela que domina minhas respostas, a que debate com os
meus erros.
Mas ela tem um defeito: dorme nas horas inoportunas.
Clio é a favorita.
É a que me dá esperanças das pessoas que
eu posso ser.
É a que brilha, a que cria, a que ama história.
A parte que eu mais amo, e a que eu mais odeio.
A que eu sempre quis ser e não fui.
Érato é a delicadeza do meu lirismo.
São as minhas vezes do eu te amo.
São as minhas cartas não correspondidas.
É som da harpa que imita o meu sim.
É a que nunca me deixa na mão.
Euterpe é o meu lado misterioso.
É a que cresce com os olhares.
Com o suor da pele depois de uma caminhada.
A que procura aquele beijo que você não me deu.
A que deseja a nossa eternidade.
Melpômene é a que me abraça e chora.
Chora pela vida ser do jeito que ela é.
É o drama futuro antecipado pelas circunstâncias.
É aquele dia que te joga no chão, no meio de uma tempestade
sem guarda-chuva.
A que mais frequenta o meu caminho.
Polimnia é a moça do véu branco.
É a poesia do dia-a-dia da calçada.
É o vento que beija o meu calor.
É o abraço que eu não pedi.
A sintonia do nosso piscar de olhos.
Terspíscore é a sinfonia fechada.
É a harmonia do meu hino interior.
O mar calmo depois da tempestade.
A razão enrustida no meu silêncio.
A música que me toca pela primeira vez.
Tália é o meu humor ácido.
É a minha indiferença para os conflitos.
É o sorriso mais gostoso daquela tarde premiada.
É o presente surpresa que te faz feliz.
A gentileza daquela queda engraçada.
E por último, Urânia.
O simbolismo do meu amor pelo universo.
São as estrelas que pedi para você roubar para mim.
São as constelações que dançam e cantam toda noite.
Enquanto eu durmo, enquanto você fecha os olhos.
O movimento daquele relógio que você comprou
Para um recomeço triunfal.
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