segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O nome dele é tão comum
O sobrenome se encontra a cada esquina da Rua Augusta
Mas, quem tem nome de anjo sempre sabe
Que ele há de estar dentro de algum coração
Fazendo sua morada de aluguel não pago
Fazendo graça para sair só de manhã, fiado
E suas sardas são tão gigantes
Que se escondem para não chamar atenção

Mas o que eu haveria de fazer?
Se desde que eu pus os meus olhos em você
Eu não quis ser nada além de seu
Por que quem tem nome que rima com mar
Sempre sabe que alguém ali sempre irá se afogar
Nem que seja em seus olhos, ou sua boca, ou sua pele.

Mas foi a sua voz que me pegou
Me atingiu em campo aberto
E quando seus acordes se calaram
Eu compus, silenciosamente, uma valsa
Para que eu me entregue em seus braços
Por que quem tem nome que rima com céu
Só pode ser de fato um anjo
Embora um anjo que nunca será meu

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Eu te cobri de amor da cabeça aos pés
Não porque eu queria algo em troca
Não porque eu precisava disso para ficar do seu lado
Eu fiz isso porque você precisava
Desesperadamente, urgentemente de afeto.

Eu não conseguiria viver em um mundo que você não fosse feliz
Enxuguei suas lágrimas num abraço infinito
Te pus para dormir em um sono profundo
Te apoiei em meus ombros com zelo e carinho

E você acordou e foi embora,
sem olhar para trás,
deixando seu rastro na cama,
deixando o seu sorriso comigo,
Me fazendo pensar que um pouquinho do seu amor
É suficiente para manter a minha paz.
E eu inventei um mundo
Por que eu não suportava viver nesse
E eu te chamei para viver comigo
Em um lugar em que o amor era lei

E no nosso mundo tudo era mais lindo
As cores, os sons, a vida
E eu e você éramos felizes
contemplando o entardecer e o luar

Mas, descobriram o nosso pequeno universo
Invejável, mesquinho, abominável
Como alguém pode morar num planeta sozinho?
Como alguém pode viver em mundo sem dor e sem mágoas?
Alegaram a nossa perfeição como crime de maior potencial ofensivo
Ofensa máxima aos milênios de propagação de ódio da humanidade

Infringimos na ordem máxima da vida: É proibido plantar e colher o amor.