segunda-feira, 9 de março de 2015

As minhas musas

A porta que se fecha é o último segundo do relógio que pára.
O recomeço sempre marca o fim de uma etapa.
Um novo ciclo de passos.
Um novo gigante a ser escalado.
A subida que ofusca o medo.
Caminhando sozinha consigo dialogar com as minhas musas.
As musas gregas que habitam em mim.

A Calíope está nas vezes que quis falar e não pude.
Ela mora dentro da minha oratória interna,
Gritando com a sua trompeta, agarrando o livro do conhecimento.
É aquela que domina minhas respostas, a que debate com os meus erros.
Mas ela tem um defeito: dorme nas horas inoportunas.

Clio é a favorita. 
É a que me dá esperanças das pessoas que eu posso ser.
É a que brilha, a que cria, a que ama história.
A parte que eu mais amo, e a que eu mais odeio.
A que eu sempre quis ser e não fui.

Érato é a delicadeza do meu lirismo.
São as minhas vezes do eu te amo.
São as minhas cartas não correspondidas.
É som da harpa que imita o meu sim.
É a que nunca me deixa na mão.

Euterpe é o meu lado misterioso.
É a que cresce com os olhares.
Com o suor da pele depois de uma caminhada.
A que procura aquele beijo que você não me deu.
A que deseja a nossa eternidade.

Melpômene é a que me abraça e chora.
Chora pela vida ser do jeito que ela é.
É o drama futuro antecipado pelas circunstâncias.
É aquele dia que te joga no chão, no meio de uma tempestade sem guarda-chuva.
A que mais frequenta o meu caminho.

Polimnia é a moça do véu branco.
É a poesia do dia-a-dia da calçada.
É o vento que beija o meu calor.
É o abraço que eu não pedi.
A sintonia do nosso piscar de olhos.

Terspíscore é a sinfonia fechada.
É a harmonia do meu hino interior.
O mar calmo depois da tempestade.
A razão enrustida no meu silêncio.
A música que me toca pela primeira vez.

Tália é o meu humor ácido.
É a minha indiferença para os conflitos.
É o sorriso mais gostoso daquela tarde premiada.
É o presente surpresa que te faz feliz.
A gentileza daquela queda engraçada.

E por último, Urânia.
O simbolismo do meu amor pelo universo.
São as estrelas que pedi para você roubar para mim.
São as constelações que dançam e cantam toda noite.
Enquanto eu durmo, enquanto você fecha os olhos.
O movimento daquele relógio que você comprou
Para um recomeço triunfal.

Nenhum comentário:

Postar um comentário