Acordou e esqueceu o que tinha que fazer.
Foi na cozinha e esqueceu o que deveria comer.
Saiu de casa e não sabia onde ir.
Não reconheceu aquelas pessoas em sua volta.
Correndo, frenéticas, brigando contra o tempo.
Aquele rosto, aquelas roupas, aquele carro, aquela casa
Não lhe pertenciam.
Caminhou horas pela cidade afora,
Talvez tenha enlouquecido.
Mas alguma partícula de sanidade o fazia pensar:
"Não fale nada a ninguém, vão te colocar no hospício".
Até que achou a única coisa que não estranhou naquele dia:
A jornalista sentada no café da esquina.
Não tinha alzheimer.
Só teve as suas memórias roubadas
Pelo pedido feito na noite anterior:
"Me faça esquecer dela".
Nenhum comentário:
Postar um comentário